segunda-feira, 14 de setembro de 2009

História do Teatro de Boneco






HISTÓRIA DO TEATRO DE BONECOS

Acredita-se que o Teatro de Bonecos seja tão antigo quanto o teatro convencional. Segundo pesquisadores a essência do teatro de bonecos está na pré-história, quando os homens primitivos encantados com suas sombras nas paredes das cavernas, teriam desenvolvido o teatro de sombras na intenção de divertir seus filhos.

A partir daí a criatividade humana acompanha a evolução passando por várias etapas, começando pelo boneco de barro sem articulação e mais tarde os primeiros bonecos com articulação de cabeça e membros.

No Oriente, o boneco tinha caráter religioso e era visto com muito respeito. Para os orientais o boneco não era simples diversão, acreditava-se que eles tinham poderes mágicos chegando a substituir divindades, possuíam poderes mediúnicos. Sem falar na tecnologia perfeita, onde segundo algumas lendas chinesas, o imperador Wu que data a dinastia Han, desesperado com a morte de sua imperatriz teria oferecido uma fortuna a quem pudesse restituir-lhe a vida. Surgiu então um bonequeiro que, com uma réplica da silhueta de sua amada, apresentou-a ao imperador no teatro de sombras. O imperador, fascinado, passou a assistir todas as noites aos seus espetáculos.

No Ocidente, o boneco está ligado ao homem em sua realidade racional. Mantendo uma relação com o divino de forma meio fantástica, grotesca e até mesmo fantasiosa.

A expressão do boneco está no movimento, completado pelo som, e ambos incendeiam a imaginação, em especial das crianças. Exige, portanto, o uso do poder criador e a faculdade de transcender o mundo material.

O Teatro de Bonecos é uma síntese das artes e acontece dentro de um contexto histórico, cultural, social, político, econômico, religioso e educativo. É praticado em todo o mundo, assumindo fisionomias e espírito dramático bem diferenciado, dependendo da localização geográfica, tradições culturais, crenças e costumes.

Na América, o surgimento do Teatro de Bonecos aconteceu por volta do século XVI, época dos grandes descobrimentos, o que contribuiu muito para sua divulgação no mundo inteiro. Confeccionado muitas vezes, semelhante à nossa imagem, o boneco se torna um ser misterioso em torno do qual podemos construir um mundo.

No palco toma vida própria através das mãos do manipulador, conta história e transforma a vida numa magia que muitas vezes nos faz sair da realidade pelo seu grande poder de sugestão. Toda a sua expressão se concentra no movimento.

Sua história está ligada aos atores do teatro popular grego e romano. Na Grécia, os bonecos eram audaciosos, chegando a ridicularizar as lendas cristãs. Roma assimila a cultura grega fazendo com que o teatro de bonecos desenvolva-se por toda Europa.

Porém na Idade Média, como todas as outras artes, o teatro de bonecos também sofre perseguições, já que de início era utilizado nas doutrinações religiosas da época. Passa então a ser apresentado nas feiras livres das cidades.

Por todo o mundo o teatro de bonecos apresenta-se com uma determinada nomenclatura. Na Itália o Maceus que antecedeu o Polichinelo; na Turquia, Karagoz; na Grécia, as Atalanas; na Alemanha, o Kasper; na Rússia, o Petruska; em Java, o Wayang; na Espanha, o Cristovam; na Inglaterra, o Punch; na França, o Guinhol; nos Estados Unidos, o Mupptes e no Brasil o Mamulengo.

Foi por meio de seus colonizadores europeus que o teatro de bonecos chegou ao Brasil. Eles eram utilizados nos trabalhos de catequese. Mas foi no nordeste onde esta arte mais se desenvolveu, principalmente em Pernambuco. Nas cidades do interior da Paraíba o teatro de bonecos recebeu o nome de Babau e durante muito tempo foi um dos meios de comunicação mais eficiente, pois era através desta arte que os problemas sociais eram expostos para sociedade.

Além da Imaginação

O boneco, ser inanimado por princípio, no palco toma outras dimensões: voa contrariando as leis da física, assume as posturas mais extravagantes, mas não perde o caráter de familiaridade. Isto é, nos identificamos com eles.

A arte possui valores que a transcendem, atinge o universal eliminando barreiras de tempo e lugar. Assim, o Teatro de Bonecos oferece mil possibilidades a quem o descobre.

Nas mãos de um educador hábil o boneco é um instrumento de grande valor. Nem sempre a palavra é mais importante: os gestos e trejeitos do boneco transmitem informações ao espectador que o leva a interpretação e identificação imediata da mensagem. Sua eficácia é muito importante tanto para crianças como para os adultos.

BONECOS HOJE

A partir do século XX o boneco foi introduzido em diversos segmentos. Além do teatro, passou a ser utilizado em TV, cinema, artes plásticas, educação, psicologia, recreação e muito mais.

Hoje em dia se confecciona e movimenta bonecos usando técnicas tradicionais e até avançadas, como é o caso do uso de tecnologia em animação .

A matéria prima usada também foi diversificada e a cada dia se amplia. A borracha, o poliéster, o alumínio e até sucata são usados atualmente, conquistando assim novos espaços e adquirindo novas formas e nova linguagem. Sem obedecer limites, mistura-se bonecos, atores, objetos animados, dança, mímica, música, cenários ou ainda com o mais simples, pode ser apenas um objeto, que animado, manifesta a essência de quem o manipula .

O Teatro de Bonecos é acima de tudo uma mágica aventura no universo das artes, da expressão, sem fronteiras de idiomas, costumes ou religiões.

A seguir, classificação de técnicas, de acordo com livro Teatro de Formas Animadas, de Amaral (1991):

FANTOCHE ou BONECO de LUVA – Boneco que o artista calça ou veste.

MARIONETE – Boneco movido a fio.

BONECO DE VARA – Boneco manipulado através de varas ou varetas.

BONECO DE SOMBRA – Refere-se a uma figura chapada, articulável ou não, visível com proteção de luz.

MAROTE – É também um boneco de luva que o manipulador veste e com sua mão articula a boca do boneco.

BONECO GIGANTE – Geralmente com mais de dois metros de altura, utilizado em manifestações folclóricas e espetáculos de rua.

BUNRAKU – Teve sua origem no Japão. A técnica consiste em manipulação conjunta de três ou mais manipuladores que vestidos de preto se confundem com o fundo que tem a mesma cor.

FORMAS ANIMADAS – Fusão de teatro de bonecos, máscaras e objetos.

MÃOS ANIMADAS – Técnica criativa de representar figuras utilizando as mãos com pinturas e adereços.