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Acredita-se que o Teatro de Bonecos seja tão antigo quanto o teatro convencional. Segundo pesquisadores a essência do teatro de bonecos está na pré-história, quando os homens primitivos encantados com suas sombras nas paredes das cavernas, teriam desenvolvido o teatro de sombras na intenção de divertir seus filhos.
A partir daí a criatividade humana acompanha a evolução passando por várias etapas, começando pelo boneco de barro sem articulação e mais tarde os primeiros bonecos com articulação de cabeça e membros.
No Oriente, o boneco tinha caráter religioso e era visto com muito respeito. Para os orientais o boneco não era simples diversão, acreditava-se que eles tinham poderes mágicos chegando a substituir divindades, possuíam poderes mediúnicos. Sem falar na tecnologia perfeita, onde segundo algumas lendas chinesas, o imperador Wu que data a dinastia Han, desesperado com a morte de sua imperatriz teria oferecido uma fortuna a quem pudesse restituir-lhe a vida. Surgiu então um bonequeiro que, com uma réplica da silhueta de sua amada, apresentou-a ao imperador no teatro de sombras. O imperador, fascinado, passou a assistir todas as noites aos seus espetáculos.
No Ocidente, o boneco está ligado ao homem em sua realidade racional. Mantendo uma relação com o divino de forma meio fantástica, grotesca e até mesmo fantasiosa.
A expressão do boneco está no movimento, completado pelo som, e ambos incendeiam a imaginação, em especial das crianças. Exige, portanto, o uso do poder criador e a faculdade de transcender o mundo material.
O Teatro de Bonecos é uma síntese das artes e acontece dentro de um contexto histórico, cultural, social, político, econômico, religioso e educativo. É praticado em todo o mundo, assumindo fisionomias e espírito dramático bem diferenciado, dependendo da localização geográfica, tradições culturais, crenças e costumes.
Na América, o surgimento do Teatro de Bonecos aconteceu por volta do século XVI, época dos grandes descobrimentos, o que contribuiu muito para sua divulgação no mundo inteiro. Confeccionado muitas vezes, semelhante à nossa imagem, o boneco se torna um ser misterioso em torno do qual podemos construir um mundo.
No palco toma vida própria através das mãos do manipulador, conta história e transforma a vida numa magia que muitas vezes nos faz sair da realidade pelo seu grande poder de sugestão. Toda a sua expressão se concentra no movimento.
Sua história está ligada aos atores do teatro popular grego e romano. Na Grécia, os bonecos eram audaciosos, chegando a ridicularizar as lendas cristãs. Roma assimila a cultura grega fazendo com que o teatro de bonecos desenvolva-se por toda Europa.
Porém na Idade Média, como todas as outras artes, o teatro de bonecos também sofre perseguições, já que de início era utilizado nas doutrinações religiosas da época. Passa então a ser apresentado nas feiras livres das cidades.
Por todo o mundo o teatro de bonecos apresenta-se com uma determinada nomenclatura. Na Itália o Maceus que antecedeu o Polichinelo; na Turquia, Karagoz; na Grécia, as Atalanas; na Alemanha, o Kasper; na Rússia, o Petruska; em Java, o Wayang; na Espanha, o Cristovam; na Inglaterra, o Punch; na França, o Guinhol; nos Estados Unidos, o Mupptes e no Brasil o Mamulengo.
Foi por meio de seus colonizadores europeus que o teatro de bonecos chegou ao Brasil. Eles eram utilizados nos trabalhos de catequese. Mas foi no nordeste onde esta arte mais se desenvolveu, principalmente
Além da Imaginação
O boneco, ser inanimado por princípio, no palco toma outras dimensões: voa contrariando as leis da física, assume as posturas mais extravagantes, mas não perde o caráter de familiaridade. Isto é, nos identificamos com eles.
A arte possui valores que a transcendem, atinge o universal eliminando barreiras de tempo e lugar. Assim, o Teatro de Bonecos oferece mil possibilidades a quem o descobre.
Nas mãos de um educador hábil o boneco é um instrumento de grande valor. Nem sempre a palavra é mais importante: os gestos e trejeitos do boneco transmitem informações ao espectador que o leva a interpretação e identificação imediata da mensagem. Sua eficácia é muito importante tanto para crianças como para os adultos.
BONECOS HOJE
A partir do século XX o boneco foi introduzido em diversos segmentos. Além do teatro, passou a ser utilizado em TV, cinema, artes plásticas, educação, psicologia, recreação e muito mais.
Hoje em dia se confecciona e movimenta bonecos usando técnicas tradicionais e até avançadas, como é o caso do uso de tecnologia em animação .
A matéria prima usada também foi diversificada e a cada dia se amplia. A borracha, o poliéster, o alumínio e até sucata são usados atualmente, conquistando assim novos espaços e adquirindo novas formas e nova linguagem. Sem obedecer limites, mistura-se bonecos, atores, objetos animados, dança, mímica, música, cenários ou ainda com o mais simples, pode ser apenas um objeto, que animado, manifesta a essência de quem o manipula .
O Teatro de Bonecos é acima de tudo uma mágica aventura no universo das artes, da expressão, sem fronteiras de idiomas, costumes ou religiões.
A seguir, classificação de técnicas, de acordo com livro Teatro de Formas Animadas, de Amaral (1991):
FANTOCHE ou BONECO de LUVA – Boneco que o artista calça ou veste.
MARIONETE – Boneco movido a fio.
BONECO DE VARA – Boneco manipulado através de varas ou varetas.
BONECO DE SOMBRA – Refere-se a uma figura chapada, articulável ou não, visível com proteção de luz.
MAROTE – É também um boneco de luva que o manipulador veste e com sua mão articula a boca do boneco.
BONECO GIGANTE – Geralmente com mais de dois metros de altura, utilizado em manifestações folclóricas e espetáculos de rua.
BUNRAKU – Teve sua origem no Japão. A técnica consiste em manipulação conjunta de três ou mais manipuladores que vestidos de preto se confundem com o fundo que tem a mesma cor.
FORMAS ANIMADAS – Fusão de teatro de bonecos, máscaras e objetos.
MÃOS ANIMADAS – Técnica criativa de representar figuras utilizando as mãos com pinturas e adereços.


